News2026Julho03

Edição #142

3 de julho de 2026

Anthropic negocia chip próprio com a Samsung

9 notícias

@Hesamation

🔩Anthropic quer chip próprio e negocia parceria com a Samsung

A Anthropic, criadora do Claude, está em conversas com a Samsung para fabricar um chip de IA sob medida. Isso a coloca no mesmo caminho da OpenAI, que anunciou recentemente o Jalapeño, seu próprio processador. A guerra dos modelos de linguagem está virando, aos poucos, uma guerra de hardware. --- Faz sentido: depender da Nvidia para tudo é caro e cria um gargalo enorme. Quando cada empresa de IA desenha seu próprio chip, ela controla custos, otimiza desempenho e, em teoria, pode oferecer um serviço mais barato para quem usa. Dario Amodei, CEO da Anthropic, já havia sinalizado isso no ensaio 'A Adolescência da Tecnologia'. --- O recado é claro: quem quiser dominar a próxima fase da IA não vai competir só com algoritmos. Vai precisar de fábricas, engenheiros de silício e parcerias industriais pesadas. O jogo ficou muito mais caro.

@ivanhzhao

Notion entrega blocos HTML e agentes de código em menos de 24 horas

Ivan Zhao, CEO do Notion, postou um 'entrega no dia seguinte' que chamou atenção. Usuários pediram suporte a blocos HTML integrados a agentes de programação, e a equipe construiu e lançou o recurso no mesmo dia. Funciona com qualquer agente que use o protocolo MCP, o padrão aberto que conecta IAs a ferramentas externas. --- Na prática, isso significa que você pode pedir para um assistente de código gerar um componente visual (um gráfico, um formulário, uma mini aplicação) e colá-lo direto dentro de uma página do Notion. Sem sair do app, sem copiar e colar código para outro lugar. --- Velocidade de entrega virou argumento de marketing. E quando o CEO faz questão de mostrar que a funcionalidade saiu em horas, a mensagem é dupla: o produto é ágil e a equipe também. Resta ver se a qualidade acompanha o ritmo.

@emollick

🎬IA transforma livro de domínio público em filme de 15 minutos

Ethan Mollick, professor de Wharton e um dos maiores divulgadores de IA no mundo, fez um experimento curioso com a ferramenta Fable. Ele pediu que a IA pegasse o livro 'Last and First Men' (que já está em domínio público), narrasse os primeiros 15 minutos com voz gerada pela ElevenLabs e criasse animações e imagens para acompanhar a leitura. --- O resultado é um curta-metragem gerado quase inteiramente por IA, com direito a narração expressiva e visuais que acompanham o tom da história. Mollick ajustou o roteiro pelo chat, pedindo para remover o prólogo porque estava chato. A direção, se é que dá para chamar assim, foi conversacional. --- É um exemplo concreto de algo que antes exigiria uma equipe de produção, estúdio de áudio e horas de edição. Não substitui um filme de verdade, mas mostra que a barreira para contar histórias com qualidade razoável está despencando.

@petergyang

🐉Pai e filha de 8 anos criam adesivos personalizados com IA

Peter Yang, diretor de produto, compartilhou uma atividade de férias com a filha de 8 anos que virou uma pequena aula de como a IA está mudando coisas simples do dia a dia. A menina desenhou um dragão no papel. Eles enviaram o desenho para o Codex, da OpenAI, que gerou variações do dragão em diferentes poses usando geração de imagem. --- A filha foi dando feedback por voz até gostar do resultado. Depois, mandaram as imagens para um site de adesivos personalizados. Por cerca de 20 dólares, receberam 10 folhas de adesivos com o dragão dela para distribuir entre os amigos. --- É um uso pequeno, mas diz muito. Uma criança de 8 anos dirigiu uma IA por comando de voz para transformar um rabisco em produto físico. A distância entre 'tive uma ideia' e 'tenho o produto na mão' nunca foi tão curta.

@jasonlk

🪞IA turbina os motivados e acomoda quem já era acomodado

Jason Lemkin, fundador do SaaStr e referência em startups de software, compartilhou uma observação incômoda depois de implementar mais de 21 agentes de IA na própria empresa. Segundo ele, as pessoas mais motivadas ficaram radicalmente mais eficientes com IA. Já as menos motivadas simplesmente pararam de fazer certas tarefas, esperando que a máquina resolvesse. --- É uma provocação, mas tem um fundo real que muita gente em posição de liderança está percebendo. A IA não nivela todo mundo para cima automaticamente. Ela amplifica o que já existe: quem é curioso explora, quem quer atalho encontra um atalho ainda maior para não fazer nada. --- Lemkin admite que a observação pode soar antipática, mas insiste que está vendo o padrão se repetir. Se for verdade em escala, o impacto nas empresas vai muito além de produtividade: vai mexer em cultura, avaliação de desempenho e até em quem permanece no time.

@jerryjliu0

🔍O jeito de buscar informação dentro da IA mudou completamente em 3 anos

Jerry Liu, criador do LlamaIndex (uma das ferramentas mais usadas para conectar IAs a bases de dados), fez um balanço de como a área evoluiu. Há três anos, ele ensinava técnicas avançadas de RAG, a sigla para o método que permite à IA consultar documentos antes de responder. Era tudo muito manual: você precisava ajustar como os textos eram cortados, indexados e recuperados. --- Hoje, segundo Jerry, a complexidade saiu das mãos do desenvolvedor e foi para o próprio agente de IA. Você dá ferramentas simples de busca para o agente e ele mesmo decide quais perguntas fazer para encontrar o que precisa. Outra mudança: antes o foco era hackear a janela de contexto (o limite de texto que a IA consegue processar de uma vez). Agora, o foco é decidir qual informação é realmente relevante para o problema. --- O resumo prático é que construir um assistente de IA que consulta seus documentos ficou mais simples por fora, porque a inteligência de busca migrou para dentro do modelo. Para quem usa, isso significa respostas melhores com menos configuração.

@Scobleizer

🤖Mãos robóticas que carregam 16 kg já existem e custam poucos milhares de dólares

Robert Scoble, jornalista de tecnologia, visitou a Proception AI, uma startup do Vale do Silício que fabrica mãos robóticas com destreza impressionante. Cada mão consegue levantar até 16 quilos (35 libras), o que significa que um par delas carrega uma mala de viagem pesada sem dificuldade. Em produção em escala, cada unidade custaria poucos milhares de dólares. --- O detalhe que Scoble destaca é a resistência: essas mãos foram projetadas para aguentar impactos e mau uso sem quebrar, algo que sempre foi o calcanhar de aquiles da robótica fina. A combinação de força, precisão e durabilidade é o que torna o produto diferente do que já existia. --- Pode parecer coisa de ficção científica, mas pense no exemplo prático: um robô doméstico que realmente consegue pegar, carregar e guardar coisas pesadas. Sem mãos capazes, robôs humanoides são apenas bonecos caros que andam. Com elas, começam a ser úteis de verdade.

@FurqanR

🛠️Nebula começa a bater de frente com o Claude Code em produção

Furqan Rydhan, CEO da Nebula, compartilhou um teste comparativo que fez entre seu próprio produto e o Claude Code, ferramenta de programação da Anthropic. Ambos receberam o mesmo problema real: um bug em código de produção. O Claude Code resolveu o diagnóstico em 12 minutos; o Nebula, em 14. A diferença é que o Nebula foi além e já entregou a correção pronta para ser enviada ao repositório. --- É uma diferença sutil, mas importante. Diagnosticar um problema é uma coisa; entregar o código corrigido, pronto para revisão, é outra. Furqan admite que ainda precisa melhorar o preço para competir com o plano do Claude, mas o fato de um concorrente menor estar no mesmo patamar de tempo mostra que o mercado de ferramentas de código com IA está esquentando de verdade. --- Para quem desenvolve software, isso é ótima notícia: mais concorrência significa ferramentas melhores e mais baratas em breve.

@naval

🎙️Naval reúne investidores para discutir como será viver em 2028

Naval Ravikant, investidor e filósofo do Vale do Silício, lançou um podcast com Garry Tan (CEO da Y Combinator) e outros convidados. O tema central: como será o mundo daqui a poucos anos se a IA continuar nesse ritmo. Os tópicos vão de 'o sol está se pondo para o Google' até 'robô básico universal', passando por defesa de Taiwan e o que acontece se os modelos de código aberto tomarem a liderança. --- Um dos pontos mais provocativos é a ideia de que todos nós já deveríamos estar vivendo como se fosse 2028, ou seja, usando agentes para tudo, delegando tarefas e testando limites. Outro destaque é a discussão sobre 'ansiedade de IA': a sensação generalizada de que o mundo está mudando rápido demais e ninguém sabe exatamente para onde. --- Não é um podcast técnico. É uma conversa entre pessoas que estão apostando bilhões nesse futuro e tentando, ao vivo, entender se a aposta faz sentido. Vale ouvir com um pé no chão e o outro na curiosidade.

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