News28 JulhoO verdadeiro concorrente das startups de IA é a planilha do Excel
Edição #166·28 de julho de 2026·2 min

📊O verdadeiro concorrente das startups de IA é a planilha do Excel

Andrew Chen, sócio da a16z (uma das maiores firmas de capital de risco do Vale do Silício), resumiu em poucas linhas algo que muitos fundadores aprendem da pior forma: startups de IA não competem umas contra as outras. Elas competem contra a planilha que o time usa há anos, as cinco abas abertas no navegador que formam um fluxo de trabalho informal, o processo de copiar e colar que ninguém documentou e o funcionário que 'simplesmente faz' sem ninguém entender como. --- E, talvez o mais difícil de vencer: ignorância, medo de mudança e preguiça. É um lembrete de que a barreira para adoção de IA nas empresas não é tecnológica. É comportamental. Não importa se seu produto é dez vezes melhor se a pessoa do outro lado acha que o jeito atual 'funciona bem o suficiente'.

O verdadeiro concorrente das startups de IA é a planilha do Excel

O maior obstáculo para startups de inteligência artificial não é a concorrência técnica entre LLMs ou a capacidade computacional. É a planilha que a equipe financeira mantém aberta desde 2019, o fluxo de trabalho distribuído em cinco abas do Chrome sem integração, e o colaborador que resolve gargalos operacionais com atalhos de teclado que ninguém documentou. A barreira para adoção de IA nas empresas é comportamental, não tecnológica.

Andrew Chen, sócio da Andreessen Horowitz (a16z), consolidou essa realidade em uma observação que ressoa entre fundadores de B2B SaaS: o produto precisa vencer não apenas soluções legadas, mas a inércia organizacional mascarada de "funciona bem o suficiente". Quando uma ferramenta de IA promete otimizar relatórios em minutos, ela compete contra o estagiário que já sabe exatamente quais células concatenar no Excel. Quando oferece automação de pipeline de vendas, enfrenta o vendedor que prefere seu caderno de anotações porque "sempre funcionou assim".

Por que processos informais são tão difíceis de substituir

Sistemas ad-hoc — aqueles construídos com copy-paste entre abas, macros não documentadas e conhecimento tácito acumulado — desenvolvem resistência organizacional equivalente a software enterprise licenciado. Eles possuem três vantagens competitivas difíceis de replicar:

  • **Custo zero de implantação**: Não requerem onboarding, integração com API ou treinamento de equipe
  • **Flexibilidade contextual**: Adaptam-se a exceções e edge cases específicos da empresa sem necessidade de atualização de versão
  • **Custos de mudança invisíveis**: A transição exige não apenas migração de dados, mas reengenharia de hábitos cognitivos e políticas internas

O que isso muda para builders brasileiros

Para desenvolvedores e fundadores no mercado brasileiro, onde o tecido empresarial combina corporações tradicionais com startups em fase inicial, o insight de Chen exige recalibração de estratégia de go-to-market. A prova de valor de um produto de IA não reside apenas na precisão do modelo ou na latência da inferência, mas na capacidade de mapear e substituir workflows invisíveis.

Produtos que ignoram a "pele de cobra" dos processos legados — interfaces que exigem mudança abrupta de comportamento ou que subestimam a satisfação do usuário com soluções imperfeitas mas previsíveis — enfrentam taxas de churn elevadas mesmo com métricas técnicas superiores. A adoção de IA efetiva exige design de produto que absorva gradualmente os atalhos manuais existentes, reduzindo o atrito comportamental antes de otimizar o throughput técnico.

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