News25 AbrilO novo fluxo dos devs: planejar como gente grande, codar com IA
Edição #74·25 de abril de 2026·2 min

🗺️O novo fluxo dos devs: planejar como gente grande, codar com IA

Santiago Valdarrama, referência em engenharia de software, compartilhou o workflow que está usando com o Claude Code: duas etapas separadas antes de codar qualquer coisa. Primeiro, uma fase de design que analisa o código existente, faz perguntas, propõe alternativas e gera uma especificação. Depois, uma fase de planejamento que quebra tudo em tarefas pequenas e prescritivas. --- O resultado é um plano em markdown tão detalhado que parece receita de bolo: "Passo 1: escreva o teste. Passo 2: rode e garanta que falha. Passo 3: implemente. Passo 4: rode e garanta que passa." Segundo ele, agentes de código adoram instruções assim - pequenas, detalhadas, sequenciais. --- Matt Pocock, outro dev conhecido, testou uma abordagem complementar: iterar na velocidade máxima até ter um protótipo que funcione, e depois usar o agente pra reorganizar e limpar a arquitetura. "Vamos ver se dá pra polir o código gerado no improviso", brincou. São duas filosofias diferentes, mas o padrão é o mesmo: o humano pensa, a IA executa.

Desenvolvedores experientes estão abandonando a prática de pedir às IAs para "apenas codar". O novo padrão de produtividade exige separar rigorosamente o planejamento da execução, tratando agentes de código como implementadores de especificações técnicas detalhadas, não como arquitetos de soluções.

O workflow em duas etapas

Santiago Valdarrama estruturou seu fluxo com o Claude Code em duas fases distintas antes de gerar qualquer linha de código:

**Fase de designing:** - Coleta contexto analisando arquivos locais, commits e documentação existente - Examina a solicitação e faz perguntas esclarecedoras para eliminar ambiguidades - Propõe alternativas técnicas e consolida tudo em um documento de especificação formal

**Fase de planning:** - Consome a especificação e a decompõe em tarefas atômicas - Gera um plano prescritivo em markdown detalhando cada passo — desde escrever testes unitários até executar code review

O resultado funciona como uma receita técnica onde o agente sabe exatamente o que fazer em cada momento.

Por que micro-instruções funcionam

Ferramentas de agentic coding operam com maior precisão quando recebem instruções fragmentadas e sequenciais. Ao invés de solicitar "implemente uma calculadora", o desenvolvedor fornece passos delimitados: escreva o teste, execute e confirme a falha, implemente a função, valide o sucesso. Essa granularidade reduz alucinações do modelo e minimiza o débito técnico gerado por soluções improvisadas que quebram integrações existentes. O padrão se alinha ao TDD (Test Driven Development) e práticas de engenharia de software tradicionais, mas acelerado pela capacidade da IA de executar mecânicas repetitivas sem perder o foco na lógica de negócio.

Duas filosofias, mesmo princípio

Matt Pocock, outro desenvolvedor influente, experimenta uma abordagem complementar: iterar em velocidade máxima até obter um protótipo funcional, para depois utilizar o agente especificamente para refatorar e reorganizar a arquitetura. Embora distintas, ambas as metodologias convergem em um ponto fundamental — o humano define a estratégia e a estrutura, enquanto a IA cuida da implementação operacional.

Implicações para o mercado brasileiro

Para desenvolvedores e tech leads no Brasil, essa separação de responsabilidades exige uma mudança na gestão de prompts e na arquitetura de sistemas. A disciplina de especificar antes de executar reduz drasticamente o tempo gasto em correções posteriores e eleva a qualidade do código gerado por LLMs. Em um cenário onde a commoditização da codificação acelera a competição por talentos, a capacidade de planejar como "gente grande" — definindo escopo, edge cases e critérios de aceitação antes da execução — torna-se o diferencial técnico efetivo entre profissionais juniores e seniores.

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