News26 JunhoFigma despenca na bolsa e o mercado culpa a Anthropic
Edição #135·26 de junho de 2026·2 min

📉Figma despenca na bolsa e o mercado culpa a Anthropic

A Figma, ferramenta de design usada por praticamente toda a indústria de tecnologia, caiu cerca de 87% em relação ao pico na bolsa, mesmo apresentando números excelentes: crescimento de 46% na receita, retenção de clientes de 139% e margem de fluxo de caixa livre de 27%. Parece contraditório, mas o mercado tem um motivo: a Anthropic. --- O problema é estrutural. O Figma Make, a aposta de IA da Figma, roda em cima dos modelos Claude, da Anthropic. Em abril, a Anthropic lançou o Claude Design, mirando exatamente no mesmo público. O diretor de produto da Anthropic saiu do conselho da Figma três dias antes do lançamento. Ou seja, a Figma está pagando sua potencial rival pelo motor da própria ferramenta. --- Jason Lemkin, investidor e analista de SaaS, argumenta que a ameaça ainda não apareceu nos números. Os designers profissionais não estão saindo. Mas o mercado está precificando um risco de 18 a 24 meses que pode nunca se concretizar, ou pode mudar o jogo completamente. Por US$ 10 bilhões de valor de mercado, alguém pode estar comprando muito barato.

Figma despenca na bolsa e o mercado culpa a Anthropic

A Figma viu seu valuation despencar aproximadamente 87% desde o pico de mercado, apesar de reportar métricas financeiras robustas: 46% de crescimento ano a ano, 139% de gross revenue retention e 27% de margem de fluxo de caixa livre. A contradição aparente tem um nome técnico: precificação de risco estrutural. O mercado não está reagindo aos resultados atuais, mas à dependência da empresa em relação à Anthropic — que acaba de se tornar sua competidora direta.

A armadilha da API e o conflito de interesses

O problema reside na arquitetura do Figma Make, ferramenta de IA generativa da empresa que utiliza os modelos Claude como motor de inferência. Em abril, a Anthropic lançou o Claude Design, produto que mira exatamente o mesmo público de designers e desenvolvedores frontend. A situação se complicou quando o diretor de produto da Anthropic deixou o conselho da Figma apenas três dias antes do anúncio.

Em termos práticos, a Figma financia sua própria concorrência: paga pela API de LLM que alimenta seu produto, enquanto a fornecedora desenvolve solução paralela. Esse cenário expõe vulnerabilidades de qualquer SaaS que constrói features de IA sobre modelos de terceiros sem contratos de exclusividade ou propriedade intelectual defensiva.

Implicações para o ecossistema brasileiro

Para builders e desenvolvedores no Brasil, o caso ilustra riscos operacionais imediatos:

  • **Dependência de infraestrutura de IA**: Ferramentas que pareciam estáveis podem ver suas margens comprimidas ou seus modelos de negócio replicados pelos próprios fornecedores de foundation models.
  • **Diluição de moat técnico**: Quando a vantagem competitiva reside na interface mas o core intelligence é terceirizado, o custo de troca para o usuário final tende a zero.
  • **Sinais de governança**: A saída abrupta do executivo do conselho sinaliza que alinhamentos estratégicos entre parceiros podem evaporar rapidamente em verticais lucrativas.

A aposta do mercado

Jason Lemkin, analista de SaaS, argumenta que a ameaça ainda não se manifestou nos churn rates. Designers profissionais não estão migrando em massa. No entanto, o mercado está aplicando um desconto de 18 a 24 meses sobre o valuation, antecipando uma possível erosão da base de usuários.

Para investidores e fundadores de startups brasileiras, a queda de US$ 10 bilhões no valor de mercado pode representar arbitragem: se a Figma navegar a transição ou diversificar sua stack de IA, o atual valuation estará defasado. Se a Anthropic capturar a camada de valor do workflow criativo, a correção será permanente. O episódio reforça uma máxima do venture capital atual: em mercados de IA generativa, quem controla os modelos controla os múltiplos.

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