🔄Criador do Keras defende: IA não mata software tradicional, aumenta o uso dele
François Chollet, criador do Keras (uma das bibliotecas de IA mais usadas do mundo), foi na contramão de quem prevê que a inteligência artificial vai substituir os softwares tradicionais. Para ele, quanto mais uma empresa abraça a IA, mais ela precisa de ferramentas como Salesforce, não menos. --- O argumento dele é simples e baseado na prática. Aaron Levie, CEO da Box, conectou o servidor MCP do Salesforce ao Claude Code e passou a fazer consultas sobre clientes e mercado que antes simplesmente não faria, por preguiça ou falta de tempo. O agente de IA remove o atrito, e o software por trás é mais usado, não substituído. --- É uma lição importante para quem investe ou trabalha com tecnologia: a IA pode não matar os softwares que as empresas já usam. Pode, na verdade, torná-los mais valiosos do que nunca.
François Chollet, criador do Keras (uma das bibliotecas de IA mais usadas do mundo), foi na contramão de quem prevê que a inteligência artificial vai substituir os softwares tradicionais. Para ele, quanto mais uma empresa abraça a IA, mais ela precisa de ferramentas como Salesforce, não menos.
— @fchollet View on X
A IA não substitui software tradicional — ela o torna mais valioso
François Chollet, criador do Keras, uma das bibliotecas de IA mais utilizadas no mundo, defende uma visão contra-corrente: quanto mais uma empresa adota inteligência artificial, mais dependente ela se torna de softwares tradicionais como Salesforce, não o contrário.
O argumento parte de uma observação prática. Aaron Levie, CEO da Box, conectou o servidor MCP do Salesforce ao Claude Code e passou a fazer consultas sobre clientes e mercado que antes não realizaria por falta de tempo ou por conta do atrito operacional. O agente de IA remove a fricção de interação com sistemas existentes, e o resultado é paradoxal: o software por trás é mais utilizado, não substituído.
Essa dinâmica revela um ponto frequentemente ignorado por análises que apostam na disrupção completa. A narrativa de que IA substituiria ferramentas como CRMs, ERPs e plataformas de colaboração não se sustenta no dia a dia das empresas que efetivamente implementam esses sistemas. O que ocorre é uma expansão de uso.
O que muda na prática para builders e devs brasileiros
Para quem constrói soluções em IA no Brasil, a implicação é direta: o valor não está apenas no modelo de linguagem ou no agente autônomo, mas na capacidade de integração com o ecossistema de software já presente nas empresas. Ferramentas como Salesforce, HubSpot, Pipefy e outras plataformas de SaaS representam infraestrutura crítica que não será abandonada — será ampliada.
Isso significa que oportunidades de desenvolvimento incluem:
- Construção de agentes de IA que se integrem via API a sistemas legados
- Desenvolvimento de conectores MCP para plataformas populares no mercado brasileiro
- Criação de camadas de abstração que facilitem o uso de dados corporativos
O mercado local tem particularidade: muitas empresas usam kombinasi de ferramentas globais e soluções nacionais. A IA que consegue navegar entre esses sistemas e extrair valor deles se torna um multiplicador, não um substituto.
Por que a narrativa de disrupção falha
Chollet sintetizou a questão de forma direta: quanto mais você abraça a IA, mais precisa de SaaS. Para analistas que apostam em narrativas de substituição, isso parece contraintuitivo. Para quem lidera empresas de tecnologia, é algo óbvio.
O que a IA faz é reduzir o custo de interação com sistemas complexos. Quando perguntar ao seu assistente de IA sobre o status de um contrato no Salesforce se torna tão simples quanto digitar uma frase, a frequência de uso aumenta. O software não desaparece — ele se torna mais acessível e, portanto, mais estratégico.
Para devs brasileiros que trabalham com IA, o recado é claro: o futuro não é construir concorrentes para ferramentas SaaS existentes, mas sim criar camadas inteligentes que tornem essas ferramentas mais úteis. É uma questão de composição, não de substituição.