News14 JunhoCriador do Redis propõe plano de emergência para Europa em IA
Edição #123·14 de junho de 2026·2 min

🇪🇺Criador do Redis propõe plano de emergência para Europa em IA

Salvatore Sanfilippo, mais conhecido como antirez, o criador do Redis (um dos bancos de dados mais usados do mundo), publicou um plano direto e provocador para a Europa não ficar totalmente de fora da corrida de IA. A receita tem três passos: chamar de volta os pesquisadores europeus que trabalham com IA nos EUA, oferecendo o mesmo salário; encher data centers europeus de GPUs (os chips que alimentam a IA) e colocar essa gente para trabalhar; e fazer parcerias de IA com China e Índia. --- É um diagnóstico honesto de um europeu que vive o mercado de tecnologia há décadas. A Europa produz talento de sobra, mas exporta quase todo mundo para os EUA. A questão é que nenhum desses passos é simples: salários americanos em IA são estratosféricos, GPUs estão em falta global, e parcerias com a China são politicamente explosivas. Mas pelo menos alguém está dizendo em voz alta o que muitos pensam.

O diagnóstico de um criador de software fundamental

Salvatore Sanfilippo, criador do Redis e conhecido como antirez, apresentou uma proposta polêmica para a Europa não ficar à margem da corrida de inteligência artificial. O plano tem três pilares: repatriar pesquisadores europeus que trabalham nos EUA com salários equivalentes aos americanos, investir massivamente em data centers com GPUs, e estabelecer parcerias de IA com China e Índia.

Por que o plano surgiu

A Europa enfrenta um problema estrutural: produz talento em engenharia de software e pesquisa em IA, mas perde a maior parte desse capital humano para os Estados Unidos. A disparidade salarial é o principal motor dessa fuga. Um pesquisador de machine learning em uma big tech americana pode receber compensações totais que superam em várias vezes o que ofereceria qualquer laboratório europeu, seja público ou privado.

Além do fator salarial, a infraestrutura de computação representa outro gargalo. GPUs — as unidades de processamento gráfico essenciais para treinar modelos de linguagem e redes neurais — estão em escassez global. Empresas como NVIDIA dominam o mercado, e a demanda por chips de alto desempenho ultrapassa a capacidade de produção.

Os três passos do plano

  • **Repatriação de talentos**: Atrair de volta pesquisadores europeus oferecendo salários compatíveis com o mercado americano. O desafio é que poucas empresas europeias têm margem para competir nesse nível.
  • **Infraestrutura de GPUs**: Construir data centers suficientes para abrigar a capacidade computacional necessária. O investimento seria bilionário e dependeria de cadeia de suprimentos estável.
  • **Parcerias geopolíticas**: Colaborar com China e Índia em pesquisa de IA. A proposta é pragmática, mas carrega complexidade política significativa, especialmente no contexto atual de tensões entre Washington e Pequim.

O que isso significa para builders e devs brasileiros

O cenário europeu espelha, em parte, o que ocorre no Brasil. O país também forma bons profissionais de tecnologia, mas perde talentos para mercados com maior capacidade de investimento. A diferença é que o Brasil ainda não desenvolveu uma proposta estruturada para reter ou atrair esse capital humano.

Para desenvolvedores brasileiros, a proposta de antirez serve como alerta. A competição por profissionais de IA é global, e a capacidade de infraestrutura computacional se tornou um ativo estratégico. Empresas que conseguirem oferecer ambiente de trabalho com acesso a GPUs modernas e projetos relevantes vão reter talentos. As que não conseguirem seguirán perdendo pessoas para centros com mais recursos.

O mercado brasileiro de IA ainda é incipiente comparado aos EUA, mas tem potencial de crescimento. A questão central é se haverá investimento em infraestrutura e políticas de retenção de talento antes que a lacuna se torne irreversível.

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