🔩Sócio da Sequoia defende que o dinheiro está no hardware, não no software
Shaun Maguire, sócio da Sequoia Capital (uma das maiores firmas de investimento em tecnologia do mundo), escreveu um manifesto privado defendendo que, nos próximos 25 anos, a maior parte do dinheiro será feita em hardware, não em software. O argumento central: toda revolução de software é precedida por uma revolução de hardware. Sem o iPhone, não existiriam Uber e DoorDash. --- Maguire reconhece que o silício tradicional ainda tem 'suco para espremer', mas diz que estamos batendo nos limites da física. A árvore tecnológica, segundo ele, está se ramificando para robôs humanoides, fotônica em silício (transmissão de dados por luz em vez de eletricidade) e data centers orbitais. São áreas com pelo menos 20 anos de progresso pela frente. --- A frase mais honesta do manifesto: 'Vão surgir negócios incríveis nas costas disso. E muitos desastres também.' É o tipo de previsão que vale guardar para conferir daqui a uma década.
Shaun Maguire, sócio da Sequoia Capital (uma das maiores firmas de investimento em tecnologia do mundo), escreveu um manifesto privado defendendo que, nos próximos 25 anos, a maior parte do dinheiro será feita em hardware, não em software. O argumento central: toda revolução de software é precedida por uma revolução de hardware. Sem o iPhone, não existiriam Uber e DoorDash.
— @tbpn View on X
Shaun Maguire, sócio da Sequoia Capital, posicionou o hardware como o vetor de valor dominante para as próximas duas décadas. Em manifesto privado, o investidor argumenta que, apesar do hype atual em torno de software e inteligência artificial, a limitação física do silício e a necessidade de novas arquiteturas computacionais moverão o centro de gravidade econômico da tecnologia para camadas de infraestrutura física.
A lógica da precedência
A tese de Maguire opera sobre uma causalidade histórica: toda revolução de software demanda uma revolução de hardware prévia. O iPhone não apenas criou uma categoria de dispositivo; estabeleceu o substrato computacional, sensorial e de conectividade que possibilitou Uber, DoorDash e o ecossistema de apps móveis. Sem a densidade de transistores e eficiência energética daquele hardware específico, as camadas de aplicação não teriam matéria-prima para executar.
O mesmo padrão se repete na atual onda de IA. Large Language Models e sistemas de inference já esbarram em gargalos de compute. A capacidade de processamento disponível — medida não apenas em FLOPs, mas em eficiência térmica e largura de banda de memória — determina o teto do que é viável implementar em produção.
Onde o silício encontra limites
Maguire reconhece que a lei de Moore ainda oferece retornos marginais, mas alerta para a proximidade dos limites físicos da litografia tradicional. A árvore tecnológica, segundo ele, está se ramificando para três domínios específicos:
- **Fotônica em silício**: substituição de sinais elétricos por ópticos dentro dos chips, reduzindo latência e consumo energético em data centers;
- **Robótica humanoide**: hardware mecânico integrado a modelos de IA para navegação física do mundo real;
- **Data centers orbitais**: infraestrutura de compute fora da atmosfera, explorando resfriamento passivo e energia solar contínua.
Cada uma dessas frentes demanda pelo menos duas décadas de desenvolvimento, criando janelas de investimento de longo prazo distintas das startups de SaaS tradicionais.
O que muda para builders brasileiros
Para desenvolvedores e empreendedores no Brasil, a mudança de ênfase implica uma reconfiguração de stack. A competição deixará de ser puramente em algoritmos e interfaces para incluir otimização de hardware customizado, edge computing e integração física-digital. Startups de robótica, IoT industrial e semicondutores específicos para aplicação (ASICs) ganham relevância estratégica.
Maguire fecha o manifesto com uma ressalva pragmática: "Vão surgir negócios incríveis nas costas disso. E muitos desastres também." A frase captura a natureza binária da aposta — o retorno está na infraestrut