News2026Junho01

Edição #110

1 de junho de 2026

NVIDIA e OpenAI disputam o futuro dos robôs

10 notícias

@sama

🤖OpenAI anuncia divisão de robótica: o objetivo é um robô pessoal para cada pessoa

Sam Altman, CEO da OpenAI, anunciou oficialmente a criação da OpenAI Robotics, uma nova divisão inteiramente dedicada a construir robôs. A equipe nasceu do programa de simulação de mundo liderado por Aditya Ramesh, o mesmo criador do DALL-E, e já está contratando engenheiros de hardware, sistemas e aprendizado de máquina. --- A visão de curto prazo é criar robôs que ajudem trabalhadores qualificados a construir infraestrutura, tipo obras e fábricas. A de longo prazo é mais ambiciosa: todo mundo ter um robô pessoal capaz de fazer qualquer coisa que você precise. Se parece ficção científica, é porque até pouco tempo era mesmo. --- O mais interessante é que a OpenAI está apostando no co-design, ou seja, desenvolver o hardware e a inteligência artificial juntos desde o início, em vez de tentar encaixar um modelo de IA num corpo mecânico depois. Faz sentido, mas a distância entre um chatbot brilhante e um robô que não tropeça na escada ainda é enorme.

@ArtificialAnlys

💚NVIDIA lança Nemotron 3 Ultra, o modelo aberto americano mais inteligente

Jensen Huang, CEO da NVIDIA, subiu ao palco da Computex em Taipei para anunciar o Nemotron 3 Ultra: um modelo de IA com 550 bilhões de parâmetros (dos quais 55 bilhões ficam ativos por vez, graças a uma técnica de esparsidade de 90%). É o maior e mais capaz modelo de pesos abertos já lançado por uma empresa americana. --- Em benchmarks, ele marcou 48 pontos no índice de inteligência da Artificial Analysis, ficando bem à frente de outros modelos abertos americanos como o Gemma 4 (39 pontos) e o gpt-oss-120b (33 pontos). Só que, detalhe importante: o chinês Kimi K2.6 ainda lidera com 54 pontos. A corrida EUA vs China nos modelos abertos continua acirrada. --- A velocidade também impressiona: mais de 300 tokens (as unidades de texto que o modelo processa) por segundo, algo entre 3 e 6 vezes mais rápido que concorrentes chineses de porte similar. A NVIDIA promete ainda uma versão quantizada, mais leve, para rodar com desempenho ainda maior.

@NVIDIAAI

🌍Cosmos 3 da NVIDIA: um modelo que vê, pensa e cria vídeo

Ainda na Computex, a NVIDIA apresentou o Cosmos 3, que a empresa chama de primeiro "omomodelo" totalmente aberto para IA física. Traduzindo: é um modelo que consegue entender imagens, raciocinar sobre o que vê e gerar vídeos a partir disso. Tudo num pacote só, disponível em duas versões: Super (32 bilhões de parâmetros) e Nano (8 bilhões). --- A ideia é dar aos desenvolvedores uma base pronta para criar sistemas de IA que interagem com o mundo real, como robôs e veículos autônomos, sem precisar começar do zero. Os pesos do modelo e as receitas de treinamento estão disponíveis gratuitamente no Hugging Face. --- Uma demonstração mostrou o modelo transformando uma foto de dashcam num vídeo simulado de corrida de Fórmula 1, completo com som gerado pela própria IA. É bonito, mas o valor real está em aplicações industriais: simular cenários físicos antes de colocar um robô para agir no mundo de verdade.

@NVIDIARobotics

🦾NVIDIA cria design aberto de robô humanoide para pesquisa

A terceira grande aposta da NVIDIA nesta semana é o Isaac GR00T Reference Humanoid Robot, um design de referência aberto para robôs humanoides. É basicamente um kit completo: combina o corpo do robô H2 da Unitree, mãos com cinco dedos da Sharpa Robotics, o chip Jetson Thor para processamento a bordo e o software aberto GR00T da própria NVIDIA. --- Instituições como o Allen Institute for AI, a ETH Zurich, Stanford e a Universidade da Califórnia em San Diego já confirmaram que vão usar o design para pesquisa. A lógica é que, se todo mundo usar a mesma plataforma de referência, os avanços ficam mais fáceis de comparar e compartilhar. --- É curioso ver NVIDIA e OpenAI anunciando apostas em robótica na mesma semana. Uma fornece a infraestrutura de hardware e software, a outra quer colocar inteligência no corpo mecânico. Pode ser parceria, pode ser competição. Provavelmente um pouco dos dois.

@omarsar0

🎮PewDiePie lança seu próprio orquestrador de agentes de IA

Se alguém te dissesse em 2024 que o PewDiePie, o youtuber sueco mais famoso do planeta, estaria programando e publicando seu próprio sistema de agentes de IA, você pediria o nome do remédio. Pois é exatamente o que aconteceu. Ele construiu um orquestrador, a ferramenta que coordena vários agentes de IA para executar tarefas, e colocou o código aberto no GitHub. --- Omar Sarsour, pesquisador de IA e criador do DAIR.AI, comentou o caso e aproveitou para compartilhar a própria experiência: ele está gastando centenas de milhões de tokens (a unidade de processamento da IA) com o modelo DeepSeek v4 Flash por cerca de 10 dólares, e usando isso para construir seu próprio agente de código que melhora a si mesmo. O conselho dele é direto: seja dono do seu agente, do seu orquestrador, dos seus dados e do código. Use a IA para construir tudo isso.

@giansegato

🔍Claude recupera documento perdido fazendo perícia digital no computador

Gian Segato, engenheiro de software, passou 11 horas num voo escrevendo um relatório longo no Slack. Ao chegar em casa, descobriu que o computador tinha reiniciado sozinho e o rascunho tinha sumido. Desesperado, pediu ao Claude: "por favor me salva, não sei como, mas tenta". --- O que aconteceu depois parece roteiro de filme de hacker. O Claude verificou snapshots do sistema de arquivos, Time Machine, cache do navegador, logs, imagem de hibernação. Nada. Até que percebeu que o computador tinha o Alfred instalado, um app de produtividade que guarda histórico da área de transferência num banco de dados SQLite. O detalhe: o Alfred apaga esse histórico a cada 24 horas. Mas quando o SQLite executa um DELETE, ele não apaga os dados de verdade, só marca o espaço como reutilizável. --- O Claude então fez uma varredura bruta do banco de dados, entendeu o formato interno do Alfred por engenharia reversa, localizou os bytes com o timestamp certo, remontou tudo juntando páginas de overflow e devolveu a versão final do relatório. Tudo numa única tentativa. É o tipo de história que mostra o potencial real dessas ferramentas: não só escrever texto, mas resolver problemas que exigiriam um especialista em forense digital.

@mr_r0b0t

📖MiniMax lança o M3, modelo com janela de 1 milhão de tokens

A MiniMax, empresa chinesa de IA, lançou o M3, seu mais novo modelo de linguagem. O destaque é a janela de contexto de 1 milhão de tokens, que é basicamente a quantidade de texto que o modelo consegue processar de uma vez. Para dar uma ideia: isso equivale a algo como 10 livros inteiros numa única conversa. --- O M3 foi projetado para raciocínio com agentes, uso de ferramentas, programação e tarefas que exigem lidar com documentos muito longos. A MiniMax vinha ganhando atenção com seus modelos de vídeo e áudio, e agora reforça a aposta no lado texto. Mais um competidor forte entrando na briga dos modelos de contexto gigante, uma tendência que não para de crescer.

@ArtificialAnlys

🎨HiDream O1-Image assume liderança entre geradores de imagem abertos

A HiDream lançou a família O1-Image, três modelos de geração de imagem com pesos abertos sob licença MIT (ou seja, qualquer pessoa pode usar, modificar e até comercializar). O destaque é o HiDream-O1-Image-Dev-2604, que estreou como o melhor modelo aberto no ranking de geração de imagem por texto da Artificial Analysis. --- Em qualidade, ele entrega resultados comparáveis a modelos proprietários como o Seedream 4.0 da ByteDance e o FLUX.2 da Black Forest Labs. Para quem quer testar via API sem baixar nada, o modelo está disponível na plataforma Fal por 5 a 10 dólares a cada mil imagens. O interessante é que o modelo também faz edição de imagem, não só geração do zero, aceitando até 10 imagens de entrada junto com as instruções de texto.

@sama

🛡️OpenAI quer ajudar o mundo a se preparar contra ameaças biológicas

Sam Altman publicou um segundo anúncio importante nesta semana: a OpenAI está lançando uma iniciativa de biodefesa. A ideia é usar inteligência artificial para dar ao mundo uma "vantagem inicial" na detecção e resposta a ameaças biológicas, sejam elas naturais ou criadas em laboratório. --- Os detalhes técnicos ainda são poucos, mas o timing faz sentido. Conforme os modelos de IA ficam mais capazes, cresce a preocupação de que eles possam ser usados para criar riscos biológicos. A OpenAI parece querer se posicionar no lado da defesa antes que alguém pergunte se ela também está no lado do problema. É um movimento que mistura responsabilidade genuína com relações públicas, e está tudo bem admitir que provavelmente é as duas coisas ao mesmo tempo.

@steipete

🧪Codex vira assistente de testes: roda o app como um usuário real e abre correções sozinho

Peter Steinberger, desenvolvedor conhecido no mundo Apple, compartilhou um uso criativo do Codex: ele ensinou o agente da OpenAI a funcionar como um testador de qualidade. Para cada commit (cada alteração no código), o Codex cria um cenário de teste, abre um navegador virtual, interage com o aplicativo como um usuário faria e, se encontra um problema, abre uma solicitação de correção automaticamente. --- Tudo isso roda em segundo plano, sem ninguém precisar supervisionar. É o tipo de automação que transforma uma ferramenta de programação num colega de equipe que nunca dorme e nunca reclama. Para quem desenvolve software, ter um QA (a pessoa que testa se tudo funciona) rodando 24 horas sem custo de contratação é uma mudança grande no dia a dia.

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