News26 AbrilOs melhores programadores estão voltando a escrever código na mão
Edição #75·26 de abril de 2026·2 min

✍️Os melhores programadores estão voltando a escrever código na mão

Sam Hogan, CEO da Inference, observou que os melhores programadores que ele conhece estão voltando a escrever código manualmente. Theo, CEO do T3, complementou com ironia: "Faça isso. Especialmente se você for meu concorrente." --- O ponto não é que IA de código seja ruim - é que os melhores profissionais estão achando valor em manter a habilidade afiada. --- É como GPS e senso de direção. Usar o Waze todo dia é ótimo - mas se você não sabe ler um mapa, está em apuros quando o sinal cai.

Os melhores engenheiros de software estão reduzindo o uso de assistentes de IA para tarefas de codificação rotineiras e retomando a prática manual de escrever código. A observação, levantada inicialmente por Sam Hogan, CEO da Inference, ganhou reforço irônico de Theo Browne, CEO da T3: segundo ele, programadores deveriam mesmo adotar essa abordagem — especialmente se forem seus concorrentes diretos.

O contexto técnico por trás do debate

A discussão não representa um rejeição às ferramentas de IA. LLMs para código, como GitHub Copilot e ChatGPT, permanecem integrados aos workflows de desenvolvimento. O ponto central é a manutenção da proficiência fundamental: depender exclusivamente de autocomplete inteligente para lógica de negócio, algoritmos ou arquitetura de sistemas cria uma camada de abstração que pode corroer o julgamento técnico.

A analogia recorrente no meio compara o uso de GPS ao senso de direção. Navegadores como Waze otimizam trajetos diários, mas quem nunca aprendeu a ler um mapa ou interpretar pontos cardeais fica vulnerável quando o sinal falha ou a rota sugere caminhos inviáveis. No desenvolvimento, essa "falha de sinal" se traduz em bugs sutis de performance, débitos técnicos acumulados ou incapacidade de debugar código legado que os assistentes não conseguem contextualizar.

Implicações para o mercado brasileiro de tecnologia

Para desenvolvedores e builders no Brasil, a tendência aponta para uma bifurcação de carreira. O mercado local, cada vez mais competitivo e com maior exigência de senioridade técnica real, está começando a distinguir entre profissionais que orquestram prompts e engenheiros que dominam fundamentos de computação, estruturas de dados e complexidade algorítmica.

A ironia de Theo revela uma verdade do mercado: aqueles que abandonam completamente a prática manual perdem a capacidade de revisar criticamente o código gerado por máquina ou de otimizar soluções em cenários edge case. Em um cenário onde startups e empresas de software brasileiras buscam diferenciação técnica global, manter o "musculo da programação" afiado representa vantagem competitiva mensurável.

A recomendação prática é o uso deliberado e intencional das ferramentas. Automatizar boilerplate e documentação mantém a produtividade alta, mas reservar blocos de código críticos — especialmente aqueles envolvendo lógica de negócio complexa ou decisões arquiteturais — para escrita manual preserva a profundidade técnica necessária para liderar projetos de alta complexidade.

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